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A história de “O céu não pode esperar”
O céu não pode esperar conta-nos a história do tenente Romão, o aviador que enfrenta a morte nos céus de Moçambique durante a guerra, quando o seu avião é atingido por um míssil terra-ar. Na costa oriental de África vem a tropeçar no rasto de outro português, agente do rei de Portugal, que por ali passou séculos atrás. A descoberta arrasta-o do passado para o futuro seguindo uma enigmática pista, anteriormente perseguida pela Inquisição. Envolve-se numa perigosa cruzada onde se entrelaçam o insólito e o inexplicável, a política de Estado e as intrigas das organizações clandestinas, a procura do sagrado e o conhecimento profano. Descobre que o mesmo céu que percorreu de avião, foi durante séculos alvo do interesse de outros homens com outros propósitos. Movidos pela força da fé e a curiosidade da razão, afrontaram os fanáticos dos dogmas e da ordem estabelecida. Em O céu não pode esperar, cruzam-se a ciência divina do Novo Mundo e o obscurantismo religioso, a Restauração da Independência de Portugal e a herança judaica, os inimigos da Revolução de Abril e a política da Santa Sé. Quando a admirável verdade irrompe, tudo faz sentido, tudo se harmoniza, até o censurável amor, coisa admirável de acontecer.
“O céu não pode esperar”
Autor: António Brito
Sextante Editora - Lisboa, 2009
Livro: 15.5 X 22.5 cm, 298 páginas
Preço: 17,00 euros (à venda nas livrarias do país)
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O que diz o livro
“No princípio era o voo. E o céu um lugar ameaçador. Faltava pouco mais de hora e meia para o tenente Romão encarar a morte de frente, ver o corpo envolvido pelas chamas do jacto despenhando-se em direcção ao solo, em direcção à morte. Só que ele ainda não sabia. Dormia. Dormia tranquilamente, envolvido pelos lençóis brancos da cama, sonhando com a mulher que despira na noite anterior e com o uísque que emborcara até esvaziar a garrafa. Pela última vez, dormia naquela cama.”
(in “O céu não pode esperar”)
“Há semanas que Fagundes Dias errava pelo Sinai, terra de profetas e sinais bíblicos, fugindo aos perseguidores de Castela que o seguiam desde Jerusalém. Caminhava sobre um chão de calhaus e escorpiões, envolvido por silêncios e solidão. Uma terra desolada. Aqui nasceram religiões e Deus gravou mandamentos na pedra. Por aqui passou a cavalaria de Alexandre e as legiões de Roma, os soldados do faraó e os exércitos da Babilónia, os cruzados europeus e Moisés em busca da terra prometida.”
(in “O céu não pode esperar”)
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Entrevista na Antena 1
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“Enquanto via os barcos partirem para África ao som de Angola é Nossa, Simão, cansado da improvisação e falta de meios do Exército, alistou-se no Regimento de Pára-quedistas da Força Aérea. Como descobriu mais tarde ao chegar a Tancos, ali aprendia-se a combater e a dar cabo do inimigo de um modo bem mais expedito e profissional. O início de 1963 foi encontrá-lo na floresta dos Dembos, combatendo as hordas meio selvagens dos guerrilheiros da FNLA, sucessora da UPA de triste memória, que cometeu os grandes massacres sobre a população branca dois anos antes. Perseguiu e matou turras de Zala a Quipedro, das Lundas até ao Leste de Angola, até às terras do fim do mundo na fronteira com a Zâmbia.”
(in “O céu não pode esperar”)
“Sentaram-se na esplanada de um restaurante próximo da água. Onde no passado terão andado Jesus Cristo e os apóstolos lançando as redes, corriam agora pranchas de windsurf e barcos desportivos rebocando praticantes de ski aquático. Turistas nórdicos espalhavam creme protector sobre o nariz e partiam para o lago a bordo de pequenas embarcações. - Vão até ao kibbutz Guinossar na margem ocidental – esclareceu. Dali prosseguem até Tabga, local do milagre dos pães, e Cafarnaum, a aldeia onde vivia o apóstolo Pedro. É um belo passeio, devia experimentar.”
(in “O céu não pode esperar”)
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