António Brito

Comentários
Registe-se e deixe o seu comentário no Site, clique aqui.
Comentar

Deverá iniciar sessão para comentar.

Uf……. acabei mesmo agora. Foram 24 h dum fôlego só!! Que me lembre só o “Papillon” do Henri Charriere, já lá vão uns anitos. Quanto ao Olhos de Caçador, está lá tudinho. Acho que não ficou nada por dizer. Mesmo a novelesca parte final está bem bolada. Foi para descontrair não foi, oh Brito? Sou testemunha eu tb. lá estive bem próximo. Mas as “nossas” guerras apesar de em diferentes locais foram iguais. Digo: estive e julgo que nunca mais de lá irei sair! É quase um modo masoquista de ser! Porque será??
Página atrás de página relembrei intensamente, até com umas lágrimazitas de permeio, os cheiros, as sensações,os medos, todas as emoções e mais alguma.
Tb. na minha Companhia tivemos um herói como o Fraga de alcunha Santa Bárbara, nome meio pomposo até parece, só que lho pusemos porque quando em criança chorava e gritava com medo da trovoada! Coisas estranhas que só podem acontecer nas malditas guerras.
Um simples e sentido obrigado por me ter sentido tão bem. Ah, e parabéns, ditosa pátria que tais romancistas tem. Venham mais e muitos mais. Continuam ainda muitas coisas, incómodas ou não, por dizer!
Bem haja

Comment por americo castro — 3 de Junho de 2008 @ 16:15

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Parabéns !!!

Amei “Olhos de caçador”; tive de meter 1 dia de férias para o ler de seguida. Temos ESCRITOR… temos 1 peça literária de referência …sou muito crítica com a literatura que se faz, mas o que escreveste em Olhos de Caçador é um dom raro… a subtileza , a elegância o HUMOR INTELIGENTE, raríssimos …— 1 história para contar — fortíssima mas — helás! — sobretudo o ESSENCIAL — 1 testemunho CORAJOSO, SÓLIDO, ASSUMIDO ATÉ AO MIOLO de forma original, inteligente e sensível, tem lá TUDO — os estereótipos e as suas circunstâncias…está lá a corpo inteiro… nuzinho e É BONITO !!!
Espera-te 1 caminho de solidão — o talento, tem o seu preço… SÓ QUEM TEM O DESCODIFICADOR, o consegue.
Fico à espera de outros livros, outros assuntos, outros conteúdos …
Bem vindo ao clube dos criativos, é preciso CORAGEM — não é nada fácil… é 1 droga, vicia, cria dependência, a exigência aumenta com risco de isolamento; solidão, insatisfação contínua…
DÓI e ao mesmo tempo É A ÚNICA COISA QUE VALE A PENA — SER COERENTE, SEM CEDÊNCIAS, ATÉ AO TUTANO…— 1 PRAZER DANADO DE CONTACTO COM “OS DEUSES”
1 beijo grande…

Amei, PARABÉNS + 1 VEZ !!!

Graça

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:03

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Oi amigo Brito, já li o livro, é simplesmente espectacular, foi fácil recuar no tempo e reviver todo aquele tipo de cenários (especialmente quando conhecemos os locais) e ao mesmo tempo, ficar com aquele sentimento de alegria, mas também de revolta.
Parabéns meu amigo, continua que vais pelo trilho certo, se não descurares a segurança, não vais sofrer nenhuma emboscada e assim consegues atingir o teu objectivo..!.
Um forte abraço.

Nota: Envia o teu contacto e diz-me como adquirir o teu livro, tenho uma quantidade de pessoas interessadas, ok.
José Ilídio

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:07

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Olá António Brito

Li o teu livro em pouco mais de uma semana o que deve ser um record para mim.
Quero agradecer-te pelos bons momentos que passei na leitura dos Olhos de Caçador.
Não estive em África, mas passei 6 anos na Força Aérea onde como podes calcular ouvi muita história e por via disso, senti-me mesmo em pequena escala familiarizado com situações e termos.
O Zé Fraga nas suas tangas, espertezas e habilidades é afinal um personagem notável pela sua grandeza humana (não o é por acaso) pois não pode deixar de ter muito a ver com a forma de sentir e estar do escritor.
Até no destino do capitão consigo estar de acordo. Por vezes é necessário que contra tudo e contra todos seja mesmo assim.
Depois de o ter lido o teu livro, digo-te que teria perdido muito se o não tivesse comprado.
Vai passar a fazer parte das minhas ofertas a alguns aniversariantes e estará no meu modesto rol de recomendações.
Espero ter oportunidade de ler mais livros teus tão bons ou melhores se possível.

Um grande abraço

Henrique Rosa

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:08

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Acabei hoje de ler o livro Olhos de Caçador. Gostei muitíssimo e também dava os parabéns ao autor se o conhecesse pessoalmente. É um livro que se devora. É um livro extraordinário! Surpreendente!
A forma simples e algumas vezes divertida como conseguiu abordar um assunto tão sério como a guerra de África, é impressionante. As páginas são atravessadas por um humor ácido, por uma ironia que nos comove e faz sorrir. Aquela descrição dos bastidores horríveis da guerra está simultaneamente carregada de denúncia e humanismo. Não houve nenhuma página em que perdesse o entusiasmo pela sua leitura. Nunca imaginei que um livro pudesse ter esta força, dizer tanto. É um livro vibrante. Uma revelação!

Obrigada. Fiz uma excelente escolha. Será um livro que também eu aconselharei.

Isabel

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:10

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Apesar de não ser um tema de meu interesse, aceitei o convite e depois da 1ª apresentação, entusiasmei-me e comprei o livro. Li-o em poucos dias, pois, como diz uma amiga, ele devora-se. Surpreendente a forma como está escrito e como refere a nossa querida Lídia Jorge é, sem dúvida, um Documento. Ouso dizer que a história dessa época ficaria empobrecida se este livro não tivesse surgido e mais acrescento que, é caso para pensar em fazer chegar este documento ao grande público, através de um Filme, à semelhança de outros. Felicito o autor desta Obra, assim como dou os parabéns à Editora que acreditou e reconheceu mérito neste, que poderá vir a ser considerado Literatura. Bem hajam! – M. Candan

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:11

Comentário enviado para o e-mail do autor:

O melhor livro sobre a nossa guerra colonial, escrito pelo seu principal protagonista, o soldado português. Um livro escrito na primeira pessoa, num discurso directo, frontal e crú que nos desvenda a alma do Zé Fraga através da sua vivência num dos mais terríveis cenários da nossa guerra colonial, o norte de Moçambique. Um livro que nos confronta com a nossa história recente e nos prende até ao último parágrafo. Também a revelação de um autor a quem se pede que continue a escrever, pela enorme qualidade da sua primeira obra. Classificação : 5 Estrelas. A não perder. - Luis Barbosa

Comment por admin — 6 de Junho de 2008 @ 18:13

Parabéns muitos. Quando o comecei a ler senti-me um pouco desconfortável com a linguagem do personagem Zé Fraga,mas sem querer encontrei-me numa terra onde já sonhei pisar e aí vislumbrei os seus inúmeros encantos, e no meio de uma guerra sem tréguas com o Fraga, aprendi a observar e sobreviver. Com ele adormeci não querendo ver horrores que desconhecia mas era impelida a faze-lo. No fim o diamante bruto que é aquele sobrevivente,tal como previa, foi capaz dos melhores e piores actos e mais calmo e aconchegado sente ainda saudade dos camaradas e dos momentos vividos.SOBERBO na discrição,extremamente estruturado e certamente com muitas vivências reais. Espero o próximo.
PARABÉNS PELA CORAGEM E PELOS RESULTADOS.
N. Fernandes

Comment por luisa — 23 de Junho de 2008 @ 12:29

Eu acho que está lá tudo. Bem… talvez falte o cancioneiro do Niassa. De resto, tudo aquilo de que ouvi falar - não tenho experiência de combate, só de ouvir dizer - está neste magnífico livro que devorei em pouco mais do que um fim-de-semana. Os truques da malta para fazer cera e ver a guerra passar, as sacanices dos comandantes e dos subalternos, as bocas foleiras inchadas de coragem e medo. O Zé Fraga… herói impossível, da ordem do mito. De facto, um semi-deus que não merece a sorte que o autor lhe destinava no começo do livro de que felizmente, por acaso ou não, se desvia no final.
Enfim… parabéns, António. Venham outros, sobre o mesmo tema ou afim, porque é preciso digerir o pesadelo.

Comment por luisladeira — 2 de Julho de 2008 @ 19:55

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Boa tarde,

hoje cruzei-me com o seu livro, tive apenas tempo de folhear e ler um ou dois parágrafos.
Na minha próxima ida à livraria comprarei.
O que me chamou a atenção foi o título e a capa, uma vez que o meu pai foi caçador de infantaria em Moçambique.
No pouco que folhei revi algumas das coisas que o ouvia dizer (infelizmente já não está connosco), o Niassa, a cantina do china em Mueda…
O meu pai esteve colocado em Tete e chama-se José Farinha Nunes, era um soldado raso, atirador, não sei se alguma vez se cruzaram nas cambalhotas do destino, uma vez que já vi que o Senhor era caçador páraquedista.
Seja como for e resumindo, vou ler o seu livro com carinho, obrigado por me ajudar a ver um pouco do que meu pai viu e passou.

Abraço,

Tiago Nunes

Comment por admin — 8 de Julho de 2008 @ 17:08

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Estou pouco longe do fim do livro. À partida não era um tema que me atraisse, mas estou agradavelmente surpreendida. Não tinha a certeza de o conseguir “atravessar” até ao fim mas, depois de ler a primeira frase (não é costume dizer-se que um romance fica definido e agarra, ou não, o leitor, por ela?) e o primeiro capítulo, não pude deixar de continuar (confesso que tenho de agradecer a Lídia Jorge, que sempre admirei como escritora e como mulher, a opinião que escreveu e que foi o empurrãozinho final para a minha leitura). Há muitas imagens que me aparecem durante a leitura; apesar de achar que este livro poderia ser um filme, prefiro-o como livro, será sempre muito mais rico e denso.

As personagens são muito credíveis, muito reais, sobretudo o Zé Fraga, rica e bem construída: prototipo do portuga trapaceiro, irreverente, temerário e desenrascado, mas com uma dimensão humana transnacional - aquele sarcasmo dele cabia bem nos balões de fala de Corto Maltese; as características de anti-herói, afinal mais corajoso, íntegro, abnegado, mais simpático e comovente do que o “herói” convencional, lembram-me algumas personagens de Nicholas Cage e, sobretudo, de Robert de Niro (ex.”Herói Acidental”).

Gostei muito de algumas passagens, particularmente bem (d)escritas, como a do relato do avanço de um grupo de militares pelo mato na mais absoluta escuridão; é difícil ler as descrições do Posto 36 sem nos lembrarmos de “Voando Sobre um Ninho de Cucos”(com Jack Nicholson). Peripécias como a do roubo de bidões de gasóleo, trocados por bidões de água perfurados (e ninguém parece reparar no pormenor da ausência de cheiro do “gasóleo derramado”…) poderiam ter saído de um filme italiano com Totó, ou americano com os irmãos Marx, ou português, com António Silva…

Mas há aquela terrível co-personagem principal pairando sobre tudo e todos: a guerra. A guerra pura, nua, dura, crua, que traz o pesadelo da morte não-natural, da morte absurda: “Damos-lhes cabo do canastro e fica tudo resolvido!” - será que nunca ninguém se lembra que o adversário faz exactamente o mesmo raciocínio? E mais absurdo que morrer na guerra é ficar estropiado de corpo e mente: se o objectivo era “dar-lhes cabo do canastro”, não serão estas mutilações resultado de uma absoluta e absurda incompetência de todos? E vão médicos e vão enfermeiros tentar, sem conseguir, consertar “canastros mal-mortos” como se tivessem resultado de uma catástrofe natural ou de trágicos e imprevisíveis acidentes… o que poderá ser mais absurdo que isto?

Ana Margarida

Comment por admin — 13 de Julho de 2008 @ 19:16

Comentário enviado para o e-mail do autor:

À distancia de 7 meses da leitura de «olhos de caçador», as personagens conservam para mim os seus contornos de «portugueses correntes».Um dos méritos deste livro, servido por um ritmo de escrita fascinante, é dar a estatura real dos soldados portugueses que participaram nesta guerra —-tamanho—- português corrente.
Não são heróis saídos de moldes de outras guerras, mas soldados de ocasião a «saldo» e a soldo de alguns proprietários provincianos que dominavam a política em Portugal, para quem a revolução industrial não acontecera e para quem a descolonização veio com 27 anos de atraso.
O António Brito com este livro, enviou em nome de todos os soldados Fraga, mortos, estropiados ou esquecidos, um recado a esses «mandadores sem lei».
Um abraço.
Frederica

Comment por admin — 14 de Julho de 2008 @ 12:59

Comentário enviado para o e-mail do autor:

O tema da guerra colonial, em literatura, sempre me atraiu. Aliado ao meu gosto pela leitura levou a que já tivesse lido tudo, ou praticamente tudo, o que se publicou sobre o assunto. Pensava, por isso, já não encontrar nada de novo no que, passados estes anos, se publica. Engano meu.
Encontrei no seu livro o que de mais extraordinário li sobre a guerra e sobre tudo o que ela envolve, de mau e de bom, nos sentimentos humanos. Um anti-herói que segui emocionada pelas quatrocentas páginas, esquecendo-me das horas até o terminar.
Obrigada, pelo prazer e pela dor que atravessei com a sua escrita. Uma escrita crua, realista, mas também emocionada e sensível. Um livro muito bem escrito.
Inês

Comment por admin — 19 de Julho de 2008 @ 10:42

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Depois de acabar de ler “Olhos de Caçador”, atrevo-me a enviar-lhe esta mensagem. Gostei imenso do seu livro. Como já disse marcou o meu verão no sentido positivo, claro. Vou lê-lo novamente para o saborear, já que desta vez foi lido com voracidade e sem apreciar a poesia e o humor que ele tem.

Concentrei-me essencialmente na história da história, no sarcasmo, no sofrimento e, sobretudo, no desperdício de tantas juventudes. Chocou-me como já tive oportunidade de dizer, o desapego com que eram vistos os indígenas (rurais), mas vocês é que estavam no terreno, e é muito bom falar sentada a uma secretária sem correr perigo nenhum.

Fiquei com uma pequena dúvida ou não fiz bem a ligação (como disse atrás vou ter que reler) entre o início do livro onde o Fraga é um sem-abrigo, e o final em que tudo acaba bem; parece haver um hiato, ou será tema para outro livro?

Parabéns, invejo-o(não queria empregar esta palavra mas não encontro outra, já que tenho pena, também está fora do nosso vocabulário), porque realizou um sonho que eu também gostava de realizar, só que não o sei fazer; tema era o que não faltava. Um grande abraço de parabéns; eu se fosse a si sentia-me feliz.

Maria Clara

Comment por admin — 19 de Agosto de 2008 @ 22:23

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Caro António Brito,

Terminei há uns dias atrás a leitura do seu livro “Olhos de Caçador” e tenho apenas duas palavras para lhe dizer: fantástico e obrigada!
É a fantástica a forma como a história está escrita, a forma como nos são relatados os acontecimentos, as decisões, os sentimentos, os medos e as vaidades. Obrigada por desmistificar este pedaço da nossa história do qual ninguém fala, do qual ninguém quer fazer parte! Tenho 27 anos e não tenho família que tenha estado a combater pela pátria, no entanto, conheço um ou outro ex-combatente e o resto conheço do estudo que faço sobre a nossa história, já que sou licenciada em história. Sinto que existem “monstros” guardados e escondidos sobre a guerra que Portugal empreendeu contra as suas colónias, é curativo falar deles, principalmente, através da voz de quem mais directamente esteve envolvido, os soldados, os quais muitas vezes não sabiam e não souberam aquilo que os esperava.
Fiquei apaixonada pelo nosso soldado Zé Fraga e adorei a forma como ele se vê nesta guerra e nas contradições inerentes a ela : “Serei referenciado como um cabrão que deu forte e feio nos cornos dos turras. Um herói. A merda de um herói.” Vou voltar a ler o livro e eu gostava que este livro permitisse a discussão ou a conversa informal e afectuosa que muitos dos nossos ex-soldados precisam para abandonarem os seus fantasmas e os seus sentimentos de culpa. Ensinaram-nos por vezes de forma atabalhoada a ir para a guerra, mas depois ninguém os ensinou a voltar para o seu país e para sua vida civil. Tenho muita pena que quando se festeja o 25 de Abril não se fale destes soldados como Zé Fraga que ansiavam por voltar para casa. Até porque quem fez a revolução foram os militares e a primeira motivação foi a de acabar com uma guerra que não fazia sentido.
Parabéns pelo excelente trabalho e obrigada por essa tranquilidade que trouxe a este momento doloroso e que ainda magoa o dia-a-dia de tantos ex-soldados.
Gostaria de lhe perguntar sobre a Filomena. Eles estiveram juntos, criaram uma clínica juntos, mas depois não é desvendado o “desaparecimento” da Filomena na vida do Zé Fraga. O último momento em que ela aparece é quando os dois estão num hotel e ela lhe propõe casarem-se. No início do livro, Zé Fraga diz que ela, a mulher que amou, partiu. O que significa este partir? Chegaram-se a casar? Este assunto já gerou uma discussão alegre e saudável entre mim e mais dois colegas que também leram o livro e adoraram.
Há outra coisa que considero extraordinária no seu livro, o início e o fim. Enquanto lia o livro sempre pensei que o final ia fazer ponte com o início, mas fui surpreendida, o final é muito melhor, principalmente, porque Zé chega à conclusão que ama a terra para onde foi enviado para matar, isto é uma verdadeira reconciliação.

(…)

Com admiração,
Patrícia Almeida

Comment por admin — 7 de Janeiro de 2009 @ 18:21

Parabéns!
Pela primeira vez aparece nas livrarias um livro que retrata duma forma isenta e sem as habituais “politiquices, episódios da guerra de África, travada entre os movimentos de libertação e o exército português. A linguagem de caserna, os temores do desconhecido, a aventura e a irreverência dos miúdos que se tornaram homens de um dia para o outro.
Milhares de homens hoje se revêem na imagem do Zé Fraga e dos seus camaradas. Eu próprio recordei os meus 20 anos, com nostalgia e a minha juventude perdida no Norte de Moçambique. Devo-me ter cruzado com o Zé em Muidumbe ou na picada entre Nangololo e Miteda. Talvez tenhamos bebido umas Laurentinas no mesmo bar em Montepuez ou Porto Amélia e apanhado bebedeiras em Mueda. Sim, estive lá na Nó Górdio depois de 14 meses no Niassa e quase um no Hospital Militar de Nampula por motivo de doença.
Pertenci ao Esquadrão de Cavalaria 1 (Panhards) e era Furriel Miliciano. Morreram muitos camaradas meus e, no dia 17 de Julho de 1971, tivemos 7 mortos, incluindo o capitão e um Furriel do meu curso. Motivo: bombas napalm lançadas pela Força Aérea, que não rebentavam e eram colocadas na picada sendo acionadas por simpatia com minas anti carro. Também o rebenta minas do meu pelotão foi para o “galheiro”. Ainda tenho fotos dela antes e depois do rebentamento, felizmente sem feridos. Também a minha Panhard no dia 21 de Julho rebentou uma anti carro sem consequências. Também havia antipessoais para os curiosos á volta da anti carro. Nesse dia tivemos todos sorte. Também tenho fotografias do antes e do depois, todas tiradas por mim.

Também tive o meu Galo Doido, neste caso um primeiro sargento lateiro que andava na tropa para enriquecer e que começou a “marrar” comigo logo no primeiro dia em que cheguei a Vila Cabral, ainda como cabo miliciano. Consegui ser mais duro que o 1º Maduro e lá me fui safando até que me ameaçou de dar uma “porrada”, mas quem a ía levando era ele pois tive um Alferes que sempre me apoiou incondicionalmente (era o Perdigoto lá do sítio).

Assim, ao ler o livro Olhos de Caçador, senti-me reviver os meus 20 anos. Por tudo isso obrigado António Brito por finalmente aparecer alguém que tão fielmente soubesse recordar e tão bem romancear o que se passava lá no Norte de Moçambique em finais dos anos 60 e principio dos anos 70. Só tenho pena de não saber nem de ser capaz de escrever as histórias dos dezoito meses que passei em zona de guerra.

Oxalá que o António Brito continue a escrever e descrever a verdade da guerra.

Obrigado mais uma vez por narrar a os actos heróicos da “nossa” mais recente história colectiva.

Manuel Serafim de Matos Sousa

Comment por manuel s.m.sousa — 23 de Fevereiro de 2009 @ 17:29

Comentário enviado para o e-mail do autor:

A minha apreciação sobre o livro “O Céu não Pode Esperar”, é de que se trata de um belíssimo romance. Bem escrito. A trama está muito bem urdida, com situações e linguagem sem lugares-comuns. O texto, que tem a capacidade de nos prender em todos os capítulos, está elegantemente arrumado, sem ideias dispersas, ou supérfluas. Os diálogos são bem conduzidos. A intriga está muito imaginativa. A parte final do livro e da estória de amor são enternecedoras.

Este teu livro revela uma grande maturidade intelectual. Não nos faças esperar muito tempo pelo próximo.

Expresso-te as minhas sinceras felicitações. Parabéns!
Auguro-te grandes êxitos como escritor.

Com um caloroso abraço.

Benjamim Monteiro

Comment por admin — 1 de Junho de 2009 @ 16:48

Comentário enviado para o e-mail do autor:

SENSACIONAL!

Uma leitura empolgante focando o maior sonho do homem - voar -, levou-me a países e sítios desconhecidos de tal forma, que consegui sentir os cheiros e tocar em tudo.
Com uma forte componente histórica, religiosa e metafisica, com um final de ouro e com uma ALMA LUSA E CORAJOSA, que neste tempo tanta falta nos faz…
Como disse o jornalista que apresentou o livro José Manuel Barata Feyo, deveria ser passado para imagens (cinema), e mostrar todo o potencial que os diversos temas abordam.
PARABÉNS mesmo. Aguardo com expectativa o próximo livro, pois sei que há aí muito para dar e nos vais novamente surpreender.

Um abraço

Nélia

Comment por admin — 1 de Junho de 2009 @ 16:49

Comentário enviado para o e-mail do autor:

Não se sente o passar do tempo no tempo que leva a ler O Céu Não Pode Esperar. A organização do livro em capítulos pouco extensos é motivadora, agradável, facilitadora da leitura, do encadeamento mental do enredo, moldando a acção em ritmo de onda, sobretudo na primeira parte, em que o vaivém do tempo se parece com a ondulação intemporal do mar. Mas este mar, à medida que vai encrespando, vai-nos revelando ondulações cada vez mais complexas…

Como eu também já achara em Olhos de Caçador, estou de acordo com a opinião manifestada por J.M.Barata-Feyo, na apresentação do livro, quanto à escrita cinematográfica. Um bom guionista não encontrará dificuldade em fazer o script – o trabalho “de sapa” está completo: descrições abundantemente pormenorizadas de formas, dimensões, cores, quer dos cenários, quer das acções, quer dos personagens. O vocabulário variado, a preocupação constante da adaptação da linguagem às personagens e às épocas, as citações latinas, os inúmeros detalhes tecnológicos e científicos, as informações de abertura também denotam um intenso trabalho de pesquisa.

Mas não concordo com Barata-Feyo quando comparou “… o tenente Romão, uma espécie de Indiana Jones à portuguesa…”. Enfim, concordo que “faz lembrar” pelo destemor, coragem, obstinação, espírito investigador, mas apenas isso. Na primeira parte, considero que não há apenas personagens principais por si só, mas sim um processo de fusão/gestação de um personagem principal trifacetado, apetecia-me dizer “triheteronímico”. Na segunda parte, já é Vítor Alarcão Fagundes Romão Dias, muito diferente do aviador destravado da primeira, muito mais que réplica de indiana jones: a insaciável curiosidade e desejo de alcançar a sabedoria, o profundo humanismo, e acima de tudo a intemporalidade. É o homem de qualquer época, o viajante do tempo em busca do conhecimento, por mais inatingível que pareça, mas com o supremo compromisso de evitar a qualquer custo que esse conhecimento seja erradamente utilizado. Mesmo que lhe custe a vida.

À medida que a trama adensa, vai enredando quem lê numa teia fascinante em que se emaranham personagens, se enovelam políticas e interesses obscuros, se entrelaçam épocas diferentes, mas conturbadas por igual, se enleiam verdades científicas, conceitos inatingíveis, práticas incompreensíveis, factos inexplicáveis.

Quando surge, Carmela poderá parecer uma personagem tão pouco credível e irreal como a borboleta mecânica ou a de cristal. Mas faz sentido que ela comece por ser tão enigmática como as mariposas. Vai ganhando consistência e credibilidade ao apaixonar-se. Pois não é o amor uma magia inexplicavelmente cristalina que dá a tudo uma outra dimensão e quase parece uma “coisa do outro mundo”?

Este é um belíssimo romance e bem deste mundo…

Ana Margarida

Comment por admin — 10 de Junho de 2009 @ 21:19

 

 

No dia 11 de Junho, António Brito discursa no Congresso dos Combatentes. (Ver Notícias)     António Brito intervém no Ciclo de Conferências sobre as "Memórias literárias da guerra colonial" em 25 de Junho. (Ver Notícias)